O nome americano com cara de japonês





Kodak é um nome abstrato, um neologismo. Esses nomes são os que mais necessitam de publicidade. Mas por outro lado, já que não tem significado, dá-se o significado que se quer a ele. O neologismo é elástico. Kodak, por exemplo, dá uma cara japonesa a uma empresa que, na verdade, é americana.

Ainda que muitos pensem que Kodak é a onomatopéia do som que uma máquina fotográfica faz, na verdade, ele obedeceu apenas a vontade de que se começasse e terminasse com a letra K, por ser uma letra forte, tanto visualmente quanto foneticamente.

George Easteman deixou o emprego de bancário para fundar a Kodak em 1880. Com toda certeza, se ela se chamasse Easteman não teria o mesmo sucesso.

Abaixo a evolução da marca da empresa:




Até em falsificação se faz Naming








































































Quando um nome já está assimilado, não lemos mais a marca, apenas a vemos. Por isso, crianças que ainda nem lêm, falam o nome da marca e os pais se surpreendem. Mundo afora, várias marcas são copiadas porque os falsificadores sabem que o grande público vê e não lê a marca.

Muitas vezes nós mesmos não percebemos uma marca falsificada por conta de sutis diferenças. Uma letra trocada, uma letra tirada, uma letra duplicada. 

A exposição "Cocos: Cópias e Coincidências", que esteve nas principais cidades da Espanha, fez um apanhado mundial dos produtos mais copiados. O ponto alto da exposição vista em Barcelona, e que a cada ano se amplia, é a mostra de camisas Lacoste, a marca mais falsificada no mundo. Você andava entre os manequins vestidos com as "camisas Lacoste" e ia percebendo que o jacaré ia se transformar em um outro animal que ao final mais parecia um cachorro.

As empresas perdem mais de 200 milhões de Euros anuais por causa dessas falsificacões. Acima alguns exemplos de "cópias" que também poderiam estar na Cocos.


http://www.infurma.es/es/reportajes/jul05_expococos/

O leite do Dr. Shirota




Outro dia no supermercado um homem se espantou ao ver alguém pegando um produto e pensou alto:

- YAKULT AINDA EXISTE?

Certos produtos estão há tanto tempo em nossa frente que não percebemos. Yakult é um deles. E bote tempo nisso: em 1930 um médico japonês pesquisava uma bactéria contra o cólera e acabou descobrindo outra bactéria que ajudava o equilíbrio da flora intestinal.

Ainda bem que o Dr. Shirota decidiu não batizar o produto com seu nome e preferiu, inteligentemente, dar a ele um nome que fosse reconhecido no mundo todo. Buscou no diciónario de esperanto o significado da palavra iogurte e encontrou a palavra Yakult.

O Yakult começou a ser produzido no Brasil em 1966. Ainda hoje é vendido de porta em porta. Os vendedores com carrinhos refrigerados explicam os benefícios do produto e o deixa para degustação ou pagamento posterior.

A marca está presente em 22 países com 25 milhões de consumidores e tem produtos criados para públicos diferentes como, por exemplo, Taffman-E (para homens), Hiline (para mulheres na TPM) e, claro, agora, não contando tanto com o dicionário de esperanto e sim com o trabalho de uma empresa de Branding e Naming.

E Gillette de onde vem?










Gillette é um nome patronímico. Aquele que tem o nome de alguém, geralmente seu fundador: King Camp Gillette, ao se barbear, percebia que a lâmina era maior do que precisava ser e não era segura. Então, criou o aparelho de barbear.


O produto não começou muito bem. Virou sucesso somente com a guerra. A tropa passou a usar e os soldados levaram o hábito de se barbear sozinhos e com segurança para suas casas.

As grandes empresas não colocam mais nomes em seus produtos assim tão romanticamente e sem objetivos de Branding. Um nome novo não tem ainda publicidade impregnada nele, por isso, tem que nascer comunicando. 

E aí entra o Naming. Por exemplo, Massimo Dutti não existe, não é nem foi ninguém. Parece ser o nome de um costureiro italiano famoso. Foi criado com técnicas de Naming para justamente você pensar que é a marca de um grande estilista, mas é uma das marcas do grupo Zara.

Sony, um nome bem mais sonoro.







A Tokio Tsushin Kogyo Kabushai Kaisha em 1958 tinha 20 empregados e era uma pequena empresa de aparelhos e componentes eletrônicos.

Sabiamente, um dos sócios sugeriu mudar o nome da empresa para algo mais fácil de lembrar e pronunciar, já que pensavam em expandir a empresa. Hoje, grandes empresas como a Sony/Ericsson contratam especialistas em Naming e Branding para seus produtos, mas esse sócio fez Naming sem saber, vejamos como:

Primeiro pensou num acrônimo, mas a TTK, mas já existia. Eles já tinham fabricado um gravador que fez muito sucesso com o nome Soni, do inglês sonic(relativo ao som). Em inglês Soni seria pronunciado sonai, mas insistiu na raiz latina de som (sonu) reconhecida e associada a som nas principais línguas. Pensou então em Sonny, que além de ser relativo a som, daria um ar familiar a marca, já que em inglês, sonny é a forma carinhosa dos pais chamarem o filho.

Em japonês, no entanto, son-ny associava a son, que quer dizer: prejuízo. Resolveu então retirar o duplo n, no que resultou Sony.

Pequeno, sonoro, pronunciável e com boa aparência, o nome mais leve e com essas qualidades ajudou a empresa a decolar. 2 anos depois, a Sony se estabeleceu nos EUA.

2010. A Copa do Naming











Alguém lembra do nome da bola da copa de 2006?

Pois é, agora na copa de 2010, os produtos Jabulani e Vuvuzela são mais falados que muitos jogadores de seleções importantes.

Quando falam de bola, lembro sempre de uma bola chamada Chuverinho. Parece estranho um nome de algo que está no banheiro ser dado a uma bola, mas é um nome muito bom. Chuveirinho é o nome de uma jogada e no diminutivo dá um ar familiar e de criança. A bola Chuveirinho era mais barata, não era a "oficial", era a bola da garotada, a de todas as brincadeiras: a Chuveirinho.

O nome da bola de 2006 era Teamgeist: ainda que tenha uma identidade alemã, é um nome difícil de pronunciar. Só se pensou na identidade, faltou pensar em seu uso.

Jabulani evoca a identidade africana, é muito fácil de falar porque varia consoantes e vogais, e até gruda, falamos nela com gosto: JABULANI. Tudo fruto de um bom trabalho de naming da Adidas.

Como GPV virou Jeep














Na década de 1940, o exército americano encomendou um carro para a guerra.

Os protótipos dos General Purpose Vehicle(Veículo com finalidades gerais, de uso geral) foram internamente apelidados de GP pelas duas montadoras concorrentes: a Ford e a Willys.

 GP ou "djipi" acabou se transformando em Jeep. O general George Marshall considerou o Jeep a maior contribuição da América à guerra. 


No Brasil, jipe acabou sendo o nome dado a qualquer modelo utilitário 4x4.

Jogue bem quer dizer Lego.









O marceneiro dinamarquês Ole Kirk ficou desempregado na crise de 1930 e resolveu construir brinquedos de madeira junto com seu filho de 12 anos.

A empresa cresceu e em 1934 se tornou Lego a partir de um "concurso" interno com os funcionários. O ganhador levou uma garrafa de vinho pela combinação das primeiras sílabas da expressão dinamarquesa Leg Godt - jogue bem. Mais tarde, viu-se que, em latim, Lego quer dizer: eu junto, eu uno, colocar junto.

Além dessa feliz coincidência, outras características do nome contribuem para o sucesso da marca. Por exemplo, sendo um produto para criança, o nome tem que ser ainda mais fácil de falar, e ele é; Além disso, é curto, combina bem consoantes e vogais, facilitando o pedido: me dá um  Lego?

Nestlé e Nestle










O nome pode prejudicar a performance de uma marca se seu significado for ruim em outra língua. Outros nomes se beneficiam quando o significado é bom. Nestlé é um exemplo disso.

O farmacêutico Henry Nestlé experimentou várias combinações de leite, farinha de trigo e açúcar buscando um produto que substituísse o leite daquelas que não podiam amamentar. O produto foi chamado de Farinha Láctea Henry Nestlé.

A origem é patronímica, ou seja, é o nome dono. O que favorece a marca é que, tanto em inglês, quanto em alemão, nestle quer dizer aconchegar, aninhar-se. Daí a marca ser um ninho com passarinhos. Daí também o nome do seu produto mais conhecido: o leite Ninho.

Já a explicação do por que de Nescafé, Nestea, Neston, Nescau, Nespresso, Nesquick, Nesvita da Nestlé, se você já não descobriu, nós veremos mais adiante.

Mitsubishi, a marca dos diamantes










O nome Mitsubishi é uma fusão. Assim como Photoshop, onde apenas se unem duas palavras, sem exclusão de letras. Não confundir com composição,  da pilha Eveready( Ever + Ready ) ou Vitorinox (Victory + Inox).

Mitsu é 3 em japonês e Bishi quer dizer diamante. Numa das versões sobre a origem do nome, é a mescla dos símbolos da família de Yataro, seu fundador. Na outra versão, o nome vem da empresa de barcos de Yataro, chamada Mitsukawa, que quer dizer 3 rios, depois transformada em fábrica de automóveis.

A justificativa para o diamante é o que há de mais durável e precioso. O resultado é uma marca com 3 diamantes ligados pelo centro.

Apesar de ser um nome japonês, que em alguns lugares é de difícil pronuncia, o nome Mitsubishi tem ótima sonoridade. Mesmo com duas consoantes juntas, em dois momentos, lemos, na verdade, a palavra mitisubixi, que tem uma sequência confortável de consoantes e vogais, além da rapidez dada pelo fonosimbolismo da letra i.

YouTube. O nome pensado em Você.









Youtube é uma junção de duas palavras que separadamente são muito boas: You e Tube.

Em inglês, You é ao mesmo tempo você e vocês.

Tube, além de trazer a lembrança do significado de Tubo, onde se coloca algo indefinidamente,  nos EUA, Tube é uma forma antiquada de dizer TV(que antigamente tinha um tubo) soa então meio retrô, um pouco irônico, assim como o conteúdo do site que abarca vídeo novos, mas também antigos, que julgávamos perdidos.

Juntas, o significado é melhor ainda. YouTube é VocêTv, mas se você falar a palavra enquanto lê esse texto, vai perceber que sob aspecto fonolinguístico, quando falamos Youtube, parecemos dizer Youtoo, ou seja, VocêTambém. O que é muito bom para uma mídia que prima pela participação e o seu conteúdo é gerado pelos usuários, em que você, digo, nós, somos os protagonistas.

O nome tem boa aparência e sonoridade, já que tem vogais intercaladas e o U repetido.

Toblerone. O chocolate dos Alpes.










O nome do tradicional chocolate em forma de triângulo é uma composição. Jean Tobler abriu uma loja de chocolates e doces na Suiça. Um dia, seu filho e um primo resolveram transformá-la em uma fábrica e fizeram um chocolate com formato e ingredientes diferentes.


Ao chocolate foi acrescentado pedaços de amêndoas e mel, inspirado no Turrón, doce de origem espanhola, mas que na Itália, onde os garotos o conheceram, é conhecido como Torrone.

Foi aí que aconteceu a composição de Tobler + Torrone = Toblerone

O formato do chocolate foi inspirado no Monte Matterhorn, o mais conhecido dos Alpes, localizado na fronteira entre a Suiça e a Itália.

Entrevista com quem deu o nome BlackBerry










Folha - O que uma marca espera quando solicita um trabalho como o seu?
Placek - As empresas sabem que o mercado é competitivo e que o nome da marca é o princípio da personalidade dela, é o que chama a atenção dos consumidores. As empresas vêem o nome como estratégia. O nome de uma marca é estratégico para o sucesso dela. Você não está criando uma palavra, mas um pedaço de propriedade intelectual que a companhia terá. O nome é a única coisa que não podem tirar de você. Podem até mexer com cores, padrões, logotipos, mas o nome é o pedaço da propriedade que você pode proteger pelo tempo que durar o produto. Bons nomes, bem construídos, representam vantagens nas estratégias competitivas.

Folha - Como você chegou ao famoso nome BlackBerry?
Placek - Nas pesquisas iniciais que fizemos, falávamos com as pessoas sobre e-mail. E percebemos que, quando se fala de e-mail, a pressão sangüínea das pessoas sobe. Se você é um executivo, recebe milhares de e-mails por dia, incluindo lixo. Nós queríamos criar algo que pudesse deleitar os consumidores. E não queríamos algo que tivesse o nome e-mail, porque sabíamos que a tendência era a tecnologia começar a combinar e-mail, telefone, mensagens de texto. Queríamos algo que tivesse flexibilidade. Aí apareceu na lista o nome BlackBerry.
A letra b tem um som que exprime confiança. Preto [black] é uma cor industrial, tecnológica. Berry [cereja] é fácil de pronunciar. Não é reconhecida ao redor do mundo, mas é uma parte reconhecível em várias línguas.

Folha - Quanto custa nomear uma marca?
Placek - Geralmente, nossos projetos variam de US$ 50 mil a US$ 150 mil. O preço mais alto significa uma pesquisa com consumidores ao redor do mundo. Em relação aos gastos que a companhia vai ter para começar, é uma porcentagem bem pequena.

Daniela Arrais
Folha Online
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u484251.shtml

OMO quer dizer Velha Mãe Coruja.












A palavra OMO é o acrônimo de Old Mother Owl, que quer dizer Mãe Coruja. O nome conota a dedicação materna, essência que a marca tem ainda hoje, por isso, dizemos que o nome é o discurso fundante da marca. 

Depois de se posicionar como a marca que lava mais branco, agora, o slogan vem defendendo que a Mãe Coruja aceita que seu filho se suje: Porque se sujar faz bem.

Registrada pela primeira vez em 1908, OMO está hoje em 28 países. No Brasil, foi lançada em 1957. E vem ganhando versões: Omo Ultra, Progress, Multiação, Dupla Ação, Cores. A mãe coruja aumentou a prole.




Vamos falar de Coca-Cola. Pode ser?











Coca-Cola é um nome descritivo. Aqueles que, como a palavra já diz, descrevem um atributo, função ou atividade. No caso da Coca-Cola o atributo, já que inicialmente era feita com a folha da Coca e extrato de noz de Cola.

Falando de Coca-Cola, claro, temos que falar de Pepsi. Ela foi criada 12 anos depois da Coca-Cola, também por um farmacêutico, também como estimulante e também é um nome descritivo.

Pepsi-Cola além de revigorante, tinha mais atributo  facilitar a digestão, por seus componentes: um estimulante, a Pepsina(enzima digestiva) e a noz de Cola. Pepsi em grego é digestão, daí Dispepsia ser o nome clínico para má digestão.

Em termos de naming, Coca-Cola tem uma aliteração, a figura de linguagem que foneticamente estimula sua pronúncia: COca-COla. Percebe que há uma "rima" com as primeiras letras dos dois nomes? Sem contar com a letra A, que finaliza cada uma das palavras, como se fosse uma outra "rima". Também o fato de intercalar consoante e vogal, com certeza ajudou as vendas do produto em todo o mundo.

No caso da Pepsi-Cola, o segundo nome não fazia falta e por isso foi retirado da marca.

O nome Cola nunca foi patenteado, e ai aparecem nomes como Pitú-Cola.

PS:
Dizem que até 1915, a Coca-Cola ainda tinha cocaína em sua fórmula.