Branca como a Nivea










Já vimos aqui, que um bom nome precisa ter boa aparência, boa pronúncia e significado que comunique.

Veja bem: se Oskar Troplowitz tivesse colocado seu nome em um dos seus produtos não teria ido muito longe. Sabiamente, o creme Nivea lançado em 1911 tem origem na palavra latina que quer dizer branca como a neve.

Veja o rótulo de qualquer produto Nivea, está lá o nome do fábricante atual: Beiersdorf. Um nome forte, que com certeza também não seria adequado: não tem boa aparência, uma péssima pronúncia e nenhum significado para o produto que está fortemente ligado à delicadeza.


Advinha por que a embalagem é amarela?












Maizena é um nome evocativo, do tipo neográfico. O atributo principal do produto criado em 1856 era o de ser uma farinha de milho alternativa à farinha de trigo e com multiuso.

Milho em espanhol é Maiz, que derivou então o nome Maizena. Se fosse criado no Brasil, quem sabe, não se chamaria Milhena.

A Maizena chegou por aqui em 1874 e é um dos produtos mais tradicionais na cozinha brasileira. Aliás parece já ter nascido na nossa cozinha, por isso é líder aqui e em mais de 100 países.

Ivory. O sabonete que flutuava.















Harley Procter, um dos fundadores da P&G estava na missa de domingo quando ouviu o padre falar a palavra Ivory(marfim em inglês) e decidiu colocar esse nome no sabonete branco da empresa. Numa época em que era comum tomar banho em banheira, um sabonete que flutava passou a ser imprescindível, já ninguém mais precisava ficar procurando ele na àgua.

Yvore foi então, o primeiro sabonete branco e que flutuava, mas esse diferencial surgiu por um erro de produção que injetou ar na mistura do sabonete

Com a associação com a Gamble, a P&G diversificou totalmente sua arquitetura de produtos. Em 1911 criou o Crisco, primeira gordura para fazer bolos. Em 1933 lançou um detergente, o Dreft. 

Na década de 50, adicionou o detergente Tide, o shampoo Prell, o limpador Lilt, lava-louça Joy, os creme dental Crest, o desodorante Secret, entre outras. 

Nos anos 60 e 70 lançou as fraldas Pampers e as batatas Pringles.

A P&G foi uma das primeiras empresas a percebe o valor do Naming e hoje é um das maiores clientes do setor, com um cuidado totalmente voltado para isso e não mais ouvindo o que o padre falou.

Victorinox X Facebook







Victorinox é um nome Evocativo do tipo Neográfico, resultado de uma composição, uma das técnicas criativas de Naming. 

Victory + Inox suprime o y desnecessário. Eveready também é uma composição de Ever + Ready, que suprime um dos R. Em Telecine = Televisão + Cinema, se mantém somente os "prefixos" das duas palavras, formando uma terceira.

Diferente de Facebook, que é uma junção de Face + Book, que não suprime nenhuma letra. Photoshop também é uma junção de Photo + Shop . 

Nomes com composição ou junção são interessantes porque combinam e convergem os sentidos denotativo e conotativo das palavras que os originam para um só nome.

Victorinox, por exemplo, combina a elegância e o poder de Victory, com os atributos que a palavra Inox imprime. Sua nobreza é ainda mais reforçada com um brasão, remetendo à realeza.

Facebook, como diz um amigo, é o Livro dos Rostos.

Audi quer dizer Ouça







Impedido pelos antigos sócios de usar o nome da empresa em sua nova fábrica de carros, ali, em meados de 1910, August Horch traduziu o significado do seu nome Horch=Ouça para o latim. Assim, Horch virou Audi. 

A Audi foi a primeira montadora a fabricar um carro com a direção do lado esquerdo. Os carros acompanhavam a tradição da época das carruagens: cocheiro se sentava do lado direito para ser o primeiro a sair e ajudar no desembarque.

Em 1932, August voltou a se associar aos antigos sócios da Horch, além da DKW e a Wonderer. As quatro empresas estão representadas na argolas da marca.

A Jacuzzi nasceu por causa de uma artrite











O casal Jacuzzi e seus 13 filhos migraram para a Califórnia na década de 1920.

Cândido(o nome bem apropriado para ele) um dos Jacuzzi, desenvolveu uma bomba portátil de banheira, gerando um tipo de hidromassagem com efeito terapêutico para aliviar as fortes dores da artrite de seu irmão mais velho. Mais tarde, seu neto Roy, aprimorou o invento e passou a comercializar o produto.

Hoje a marca é associada a requinte e a prazer. O nome contribuiu para isso, pois tem boa sonoridade, é fácil de falar e traz a referência fonética e semântica da elegância italiana.

Fanta veio de Fantasy.












O nome Fanta é um Neografismo,  redução da palavra fantasy. Muitos nomes são criados com essa técnica. A marca Natura também tirou o L de natural e fez o que chamamos de Contração.

Com o final da segunda guerra, em meio a tantas dificuldades a serem enfrentadas, sem o básico do dia-dia, uma bebida diferente, colorida, retratava a alegria na retomada de vida, e foi muito bem-vinda. 

Curta e fácil de falar, Fanta esconde muito bem sua origem alemã, desnecessária para posicionar este tipo de produto.

O nome americano com cara de japonês





Kodak é um nome abstrato, um neologismo. Esses nomes são os que mais necessitam de publicidade. Mas por outro lado, já que não tem significado, dá-se o significado que se quer a ele. O neologismo é elástico. Kodak, por exemplo, dá uma cara japonesa a uma empresa que, na verdade, é americana.

Ainda que muitos pensem que Kodak é a onomatopéia do som que uma máquina fotográfica faz, na verdade, ele obedeceu apenas a vontade de que se começasse e terminasse com a letra K, por ser uma letra forte, tanto visualmente quanto foneticamente.

George Easteman deixou o emprego de bancário para fundar a Kodak em 1880. Com toda certeza, se ela se chamasse Easteman não teria o mesmo sucesso.

Abaixo a evolução da marca da empresa:




Até em falsificação se faz Naming








































































Quando um nome já está assimilado, não lemos mais a marca, apenas a vemos. Por isso, crianças que ainda nem lêm, falam o nome da marca e os pais se surpreendem. Mundo afora, várias marcas são copiadas porque os falsificadores sabem que o grande público vê e não lê a marca.

Muitas vezes nós mesmos não percebemos uma marca falsificada por conta de sutis diferenças. Uma letra trocada, uma letra tirada, uma letra duplicada. 

A exposição "Cocos: Cópias e Coincidências", que esteve nas principais cidades da Espanha, fez um apanhado mundial dos produtos mais copiados. O ponto alto da exposição vista em Barcelona, e que a cada ano se amplia, é a mostra de camisas Lacoste, a marca mais falsificada no mundo. Você andava entre os manequins vestidos com as "camisas Lacoste" e ia percebendo que o jacaré ia se transformar em um outro animal que ao final mais parecia um cachorro.

As empresas perdem mais de 200 milhões de Euros anuais por causa dessas falsificacões. Acima alguns exemplos de "cópias" que também poderiam estar na Cocos.


http://www.infurma.es/es/reportajes/jul05_expococos/

O leite do Dr. Shirota




Outro dia no supermercado um homem se espantou ao ver alguém pegando um produto e pensou alto:

- YAKULT AINDA EXISTE?

Certos produtos estão há tanto tempo em nossa frente que não percebemos. Yakult é um deles. E bote tempo nisso: em 1930 um médico japonês pesquisava uma bactéria contra o cólera e acabou descobrindo outra bactéria que ajudava o equilíbrio da flora intestinal.

Ainda bem que o Dr. Shirota decidiu não batizar o produto com seu nome e preferiu, inteligentemente, dar a ele um nome que fosse reconhecido no mundo todo. Buscou no diciónario de esperanto o significado da palavra iogurte e encontrou a palavra Yakult.

O Yakult começou a ser produzido no Brasil em 1966. Ainda hoje é vendido de porta em porta. Os vendedores com carrinhos refrigerados explicam os benefícios do produto e o deixa para degustação ou pagamento posterior.

A marca está presente em 22 países com 25 milhões de consumidores e tem produtos criados para públicos diferentes como, por exemplo, Taffman-E (para homens), Hiline (para mulheres na TPM) e, claro, agora, não contando tanto com o dicionário de esperanto e sim com o trabalho de uma empresa de Branding e Naming.

E Gillette de onde vem?










Gillette é um nome patronímico. Aquele que tem o nome de alguém, geralmente seu fundador: King Camp Gillette, ao se barbear, percebia que a lâmina era maior do que precisava ser e não era segura. Então, criou o aparelho de barbear.


O produto não começou muito bem. Virou sucesso somente com a guerra. A tropa passou a usar e os soldados levaram o hábito de se barbear sozinhos e com segurança para suas casas.

As grandes empresas não colocam mais nomes em seus produtos assim tão romanticamente e sem objetivos de Branding. Um nome novo não tem ainda publicidade impregnada nele, por isso, tem que nascer comunicando. 

E aí entra o Naming. Por exemplo, Massimo Dutti não existe, não é nem foi ninguém. Parece ser o nome de um costureiro italiano famoso. Foi criado com técnicas de Naming para justamente você pensar que é a marca de um grande estilista, mas é uma das marcas do grupo Zara.

Sony, um nome bem mais sonoro.







A Tokio Tsushin Kogyo Kabushai Kaisha em 1958 tinha 20 empregados e era uma pequena empresa de aparelhos e componentes eletrônicos.

Sabiamente, um dos sócios sugeriu mudar o nome da empresa para algo mais fácil de lembrar e pronunciar, já que pensavam em expandir a empresa. Hoje, grandes empresas como a Sony/Ericsson contratam especialistas em Naming e Branding para seus produtos, mas esse sócio fez Naming sem saber, vejamos como:

Primeiro pensou num acrônimo, mas a TTK, mas já existia. Eles já tinham fabricado um gravador que fez muito sucesso com o nome Soni, do inglês sonic(relativo ao som). Em inglês Soni seria pronunciado sonai, mas insistiu na raiz latina de som (sonu) reconhecida e associada a som nas principais línguas. Pensou então em Sonny, que além de ser relativo a som, daria um ar familiar a marca, já que em inglês, sonny é a forma carinhosa dos pais chamarem o filho.

Em japonês, no entanto, son-ny associava a son, que quer dizer: prejuízo. Resolveu então retirar o duplo n, no que resultou Sony.

Pequeno, sonoro, pronunciável e com boa aparência, o nome mais leve e com essas qualidades ajudou a empresa a decolar. 2 anos depois, a Sony se estabeleceu nos EUA.

2010. A Copa do Naming











Alguém lembra do nome da bola da copa de 2006?

Pois é, agora na copa de 2010, os produtos Jabulani e Vuvuzela são mais falados que muitos jogadores de seleções importantes.

Quando falam de bola, lembro sempre de uma bola chamada Chuverinho. Parece estranho um nome de algo que está no banheiro ser dado a uma bola, mas é um nome muito bom. Chuveirinho é o nome de uma jogada e no diminutivo dá um ar familiar e de criança. A bola Chuveirinho era mais barata, não era a "oficial", era a bola da garotada, a de todas as brincadeiras: a Chuveirinho.

O nome da bola de 2006 era Teamgeist: ainda que tenha uma identidade alemã, é um nome difícil de pronunciar. Só se pensou na identidade, faltou pensar em seu uso.

Jabulani evoca a identidade africana, é muito fácil de falar porque varia consoantes e vogais, e até gruda, falamos nela com gosto: JABULANI. Tudo fruto de um bom trabalho de naming da Adidas.

Como GPV virou Jeep














Na década de 1940, o exército americano encomendou um carro para a guerra.

Os protótipos dos General Purpose Vehicle(Veículo com finalidades gerais, de uso geral) foram internamente apelidados de GP pelas duas montadoras concorrentes: a Ford e a Willys.

 GP ou "djipi" acabou se transformando em Jeep. O general George Marshall considerou o Jeep a maior contribuição da América à guerra. 


No Brasil, jipe acabou sendo o nome dado a qualquer modelo utilitário 4x4.

Jogue bem quer dizer Lego.









O marceneiro dinamarquês Ole Kirk ficou desempregado na crise de 1930 e resolveu construir brinquedos de madeira junto com seu filho de 12 anos.

A empresa cresceu e em 1934 se tornou Lego a partir de um "concurso" interno com os funcionários. O ganhador levou uma garrafa de vinho pela combinação das primeiras sílabas da expressão dinamarquesa Leg Godt - jogue bem. Mais tarde, viu-se que, em latim, Lego quer dizer: eu junto, eu uno, colocar junto.

Além dessa feliz coincidência, outras características do nome contribuem para o sucesso da marca. Por exemplo, sendo um produto para criança, o nome tem que ser ainda mais fácil de falar, e ele é; Além disso, é curto, combina bem consoantes e vogais, facilitando o pedido: me dá um  Lego?